E aí, pessoal. Tardio aqui tá atrasado, acabei pulando o fechamento de Julho, mas bora lá.
FINANCEIRO
Percebi que esse ano aqui, pelo menos até esse fechamento de agosto, está sendo o pior ano em termos de desempenho da minha carteira dentro do ano, desde 2021, que foi o ano da pandemia.
8 meses do ano se passaram e a carteira está com uma valorização de 1.74%, o que é ridiculamente pífio. Meus investimentos estão no mais absoluto automático, não tenho lido nada nem estudado nada. Talvez eu esteja fazendo alguma coisa bem errada e nem me toquei..mas é isso aí. O dinheiro que tem me sobrado aqui está basicamente ficando debaixo do colchão (deixar dinheiro em conta no banco, no Japão, é o mesmo que deixar o dinheiro debaixo do colchão). Como ainda considero que as coisas não estão definidas, o que tenho feito é ir resgatando CDBs que tenho no Brasil da reserva de emergência e mandando pra corretora nos EUA, enquanto por conta das circunstâncias estou criando uma reserva de emergência à força aqui. Nos EUA tenho basicamente aportado no que vejo que está mais para trás nos percentuais definidos para a carteira, e só.
Os rendimentos do mês foram de R$2.615. Os rendimentos desse ano estão tendendo a ser apenas ligeiramente maiores que os do ano passado, o que acaba fazendo sentido pois tenho diminuído cada vez mais a parcela da carteira em renda fixa no Brasil e investido em ativos que geram pouca ou nenhuma renda sob a forma de proventos.
O aporte do mês passado foi mais baixo (R$7.157) por conta de alguns gastos que me dei ao luxo de fazer aqui. Aliás, esse é um white people problem que sinto aqui: a vontade de gastar dinheiro é infinitamente maior que no Brasil, pois as coisas custam o preço justo, então não me sinto um completo imbecil quando gasto dinheiro aqui como me sentia no Brasil. Isso acaba fazendo com que seja realmente necessário ter um bom autocontrole pra não sair torrando grana.
Já o aporte desse mês foi mais alto que o do mês passado. Aportei o equivalente a R$12.930. Aqui, novamente, quando falo aportar estou falando na grana que sobrou e ficou aqui no banco. Resgatei o equivalente à isso de um CDB no brasil e enviei pros EUA.
TRABALHO
No trabalho as coisas já estão se encaminhando para uma rotina relativamente previsível. Tenho trabalhado bastante e ficado bem cansado mentalmente. Como eu já citei aqui, o ambiente de trabalho é completamente diferente do que conhecemos no ocidente. Você trabalha basicamente de maneira ininterrupta, não existem distrações nem ninguém vindo puxar papo com você. Já realizei duas entregas e estou trabalhando em uma terceira. Não seria exagero eu falar que essas 3 entregas aqui seriam feitas ao longo de um ano por um cara médio como eu em uma empresa similar no Brasil. A produtividade aqui acaba sendo absurda.
E o que eu estou achando e tudo isso? Bom..eu estou enxergando isso como uma experiência positiva para minha carreira, e não só isso, é também uma experiência positiva para minha vida como um todo. Me adaptar à esse ambiente tão diferente e conseguir navegar bem nele demonstra que tenho boas habilidades.
Agora, sem dúvida não é um lugar onde ficarei anos e anos. Vou usar isso como um trampolim para que eu busque o próximo nível.
Desde a última postagem fizemos mais alguns nomikais (o evento pós-expediente em que saímos para comer e beber). Conversei bastante com um gringo que está aqui. O cara trabalha em uma filial americana dessa empresa japonesa que que estou, e ele fez de tudo para ser transferido para essa unidade aqui no Japão. O cara veio, com mulher e filho, porém apenas por 2 anos (ele já está há 1 ano e tem apenas mais 1). É interessante ver como a perspectiva das pessoas realmente é relativa: ele não quer voltar para os EUA de jeito nenhum. Diz que aqui é infinitamente melhor que lá, especialmente pensando na educação do filho. Nessas horas eu vejo como o Brasil e os brasileiros são de fato completamente fodidos..se a edução nos EUA é ruim, qual é a palavra que dá pra usar pra descrever o que se tem no Brasil? Eu, particularmente, se conseguisse uma oportunidade de trabalho nos EUA não pensaria nem meia vez em ir. Acredito que o Japão tem sim uma melhor qualidade de vida, mas pra quem está na busca pela IF não existe lugar no planeta em que isso é mais viável de atingir do que lá. Enfim..dizem que a carne sempre cai no prato dos veganos, né.
SAÚDE
No quesito saúde acho que as coisas estão ok. Comprei uma daquelas smart scales e tenho me pesado e feito bioimpedância frequentemente. Eu engordei 3kg desde que cheguei aqui, o que pra mim é ótimo (quem lê de fato meu blog sabe disso, hahaha). Isso também é um sinal de que minha tireóide está bem. Falando em tireóide, marquei endocrinologista aqui. Quero ver se de fato está tudo certo.
Quanto às atividades físicas, não tenho feito nada, porém meus dias não são sedentários. É um bom rolê para eu ir pro trabalho. Vou de bike até a estação, pego trem, ando em média 4km por dia a pé e 3 de bike. A alimentação também acredito que está boa. Desde que cheguei aqui não comi um único hambúrguer, pizza ou derivados. Alimentação é algo que eu realmente levo a sério e sei que minha qualidade de vida no futuro vai depender de mais disso.
PESSOAL
A alta já falou no trabalho dela sobe a questão do Japão. Ela ainda está esperando uma resposta deles pra ver quais são as possibilidades, mas sendo muito sincero acho que são muito baixas. Muito improvável dela poder vir pra cá de maneira definitiva mantendo esse trabalho. Isso é algo que tem me deixado bastante preocupado e até triste. Tenho sentindo uma enorme falta dela, e ela também de mim, claro. Nos falamos todos os dias, 2x por dia, mas obviamente isso não é o suficiente.
Por ora, estamos organizando dela vir pra cá, talvez em novembro, e ficar uns 3 meses aqui com o visto de turista mesmo. Como não é muito tempo não teria grandes problemas ela trabalhar apenas esse período de maneira remota. Quero muito que ela vivencie um pouco como é viver em um local desenvolvido. Tenho certeza que ela vai AMAR isso aqui. Nesse meio tempo estou buscando um outro apartamento para morar, pois esse em que eu estou, que a empresa alugou, é minúsculo. Estou muito bem localizado aqui em relação à cidade em si, mas é muito longe do trabalho. O tempo de deslocamento na ida e volta do trabalho tem me desgastado, então estou buscando um AP que seja perto do trabalho. Não vai ser uma localização tão boa mas pro dia a dia vai ser muito melhor.
Uma outra coisa que queria falar é sobre um livro que estou lendo: chama-se ”A vida perto da morte” em português. É de uma médica inglesa chamada Rachel Clarke, que se especializou em medicina de cuidados paliativos. Esse livro tem feito eu refletir MUITO sobre a vida em si e em como ela é breve e nós acabamos perdendo muito tempo com coisas que não deveríamos. Eu sou uma pessoa que se sente insatisfeita com muita frequência, e estou decidido a mudar isso. Ler sobre casos de pessoas com doenças terminais, na maioria das vezes câncer, é um belo de um soco no estômago. Espero conseguir usar isso como lição pra encarar a vida de uma maneira mais positiva, pois o que nos separa de uma vida miserável, ou mesmo do fim dela, é uma linha bastante tênue.
É isso aí, queridos Tardios. Um abraço à todos.
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